04 outubro 2009

Generosidade

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Um dos desafios que constantemente nos bate à porta do coração é o modo como olhamos aquilo que temos que fazer. Quando começam as rotinas, fica difícil encontrar alguma frescura em paisagens conhecidas. No meio do ruído do dia-a-dia é possível passar por todas as coisas como se nada nos tocasse.

Um exemplo disso são os desertos das grandes cidades, onde todos somos anónimos, onde nos sentimos a fazer parte de estruturas que não pensam em nós e naquilo que nos move. Podemos viver um dia sendo e fazendo aquilo que é suposto, sem nada de original.

E depois, cansamo-nos, a vida já não nos preenche. O grande desafio é mantermos sempre o coração aberto e disponível para acolher tudo, mesmo que sejam coisas iguais. Existe uma generosidade em cada um de nós que nos permite levar a Vida para além das fronteiras do conhecido e criarmos espaços originais onde somos cada vez mais completos. Isto pode tocar tantos aspectos da nossa vida, como o empenho nos estudos, a qualidade das nossas conversas, a atenção aos outros.

Uma das nossas marcas de bondade mais autêntica é a generosidade, de darmos o melhor em tudo, todos os dias.

01 outubro 2009

Regresso

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Depois de uma longa paragem, e agora que estou de regresso a Roma, o Cidade Eterna recomeça com a sua regularidade. Sinceramente, é um espaço que me faz falta. Temos projectos na nossa Vida que acabam por fazer parte de nós, como os espaços onde encontramos algo que só ali nos pode ser dado.

A palavra que soa mais ultimamente é o viver. Viver é imenso. É uma surpresa diária e uma conquista dirigida ao inesperado. Cada dia encontra uma luz diferente, onde somos desafiados a ser transparentes, irradiar algo positivo, marcar o dia com um selo da eternidade que somos.

Quando vivemos movidos pelo desejo, e este é marcado pela entrega livre, conseguimos espalhar algo muito maior que nós mesmos. Vivemos entre o que somos para nós e o que somos para os outros. A nossa verdade é sermos o tudo conhecido e ao mesmo tempo o tudo surpreendente. Na surpresa que somos no mundo, construímos uma paisagem que acolhe tudo, e que transforma tudo.


11 setembro 2009

Mudanças

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Como podem ver, estou de novo a re-estruturar o Cidade Eterna. Tenho estado bastante ausente, porque este Verão foi muito cheio a todos os níveis. Toda a novidade do ser Padre traz consigo uma adaptação a muitas coisas.... Mas espero falar disto brevemente!

Para já, aproveito para avisar que, para além de dar um novo aspecto visual, mais limpo e claro, e mantendo as mesmas funcionalidade, tenho em mente acrescentar outras coisas, que nas próximas semanas, em princípio no início de Outubro, estarão em pleno funcionamento.

A ideia é acrescentar algumas páginas associadas ao blog. Para já ponho a página dos temas que foram sendo tratados aqui, para um mais fácil acesso.

Desde já agradeço o estímulo e a presença amiga que vou sentindo por aqui. Tenho encontrado este verão pessoas que me visitam por aqui e que não conhecia. Ter rostos ligados a palavras é muito especial! A todos um bom início de ano de trabalho e estudo!

Até breve!

14 agosto 2009

Querer algo mais

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Por mais estranho que pareça, quando chegamos a um tempo de conclusão de expectativas, seria normal que tivéssemos a impressão que não é preciso grande esforço para continuar a ser o que se é. Mas o facto é que rapidamente começamos a sonhar com outras paisagens onde expandir energias e cores.

Penso muitas vezes que aquilo que mais caracteriza as pessoas é o quererem alcançar coisas novas. Isso é muito bom. Porque significa que em nós temos uma certa insatisfação, e a noção que nem todos os caminhos estão percorridos.

Daí que é importante desejar aquilo que temos entre mãos e no coração. O amor pelo presente enche de luz aquilo que somos e projecta-nos para imagens reais do que podemos ser. Ter uma visão optimista da vida faz-nos estar em movimento constante. Quase somos estranhos para nós próprios, temos tudo e ao mesmo tempo sonhamos tudo. Por isso, somos grandes e capazes de muitas coisas.

14 julho 2009

Com abundância

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E finalmente, consigo o tempo e espaço exteriores para poder partilhar aqui os dias deste fim de semana. No Sábado, dia 11, fui ordenado no Carmelo de Fátima, onde tenho uma irmã Carmelita, por imposição das mãos do Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto. E na presença de tantos familiares, companheiros jesuítas, sacerdotes da minha Diocese, e amigos da minha terra natal e dos sítios por onde fui passando. No dia seguinte, no Domingo, foi a minha Primeira Missa, na Igreja onde me baptizei, fiz a primeira comunhão e me crismei, em Idanha-a-Nova.

Tenho apenas duas palavras que poderiam resumir de alguma forma o que senti nestes dias, apesar de ainda me ser difícil expressá-lo: Apresentado e Abraçado.


A minha irmã Margarida canta as ladainhas durante a prostração.

Apresentado na celebração da minha ordenação, onde me disponho diante de Deus para o que for, onde me sinto receber uma graça que não consigo tomar conta por mim mesmo, a não ser pelo extraordinário Poder que me é dado de ser Padre. Sinto-me herdeiro de uma promessa e uma benção, um Bem feito de mim para os outros.
Abraçado na minha terra natal, por uma igreja cheia de gente, com tantos rostos da minha infância e de tantos amigos que viajaram muito para estarem presentes. Uma experiência de ser acolhido na alegria e na simplicidade e não poder fazer mais nada do que dar-me conta que este é o meu novo lugar. Uma alegria indescritível.
Na celebração da Primeira Missa, na minha paróquia.

Muitas vezes pensamos que não estamos à altura dos momentos. O facto é que nunca estamos completamente preparados para a Grandeza que somos. O momento em que isso se manifesta em toda a sua Luz e Presença faz-me acreditar com toda a certeza na nossa Bondade e na nossa Beleza. Não nos podemos nunca esquecer da maravilha que somos.

Agradeço a todos as orações, a amizade a presença amiga feita em tantos modos. É uma responsabilidade sentirmo-nos entregues. Obrigado! =)

04 julho 2009

Espera e simplicidade

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Nos dias que antecedem momentos grandes da nossa Vida, costumamos sentir alguma ansiedade, para que tudo corra bem, para que estejamos à altura do momento, que seja o melhor dia das nossas Vidas.

Mas é curioso que acabo por pensar que um momento bonito e especial é uma continuação, um continuar a caminhar, um começo mais que uma chegada. É chegar a uma nova paisagem sem ter nada conhecido, mas estar aberto a uma surpresa que ultrapasse todos os cálculos, aquilo que é previsto ou suposto.

É com os pequeninos que se aprende a saborear aquilo que a Vida nos dá e a forma como somos construídos em luz, amor e generosidade. É maravilhoso dar-se conta de como somos privilegiados, como nos é dado tanto mais do que merecemos e como nos resta aceitar com olhar feliz aquilo que acontece.

03 julho 2009

Pela janela

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Quando queremos, somos capazes de olhar de um modo verdadeiramente transformado. Tenho sempre imenso medo da rotina, porque tira a novidade dos nossos gestos. Os nossos dias são cheios de surpresas e oportunidades de alargarmos o nosso mundo. Hoje fiz uma viagem de comboio. Poderia ter passado o tempo a dormir ou a ler alguma coisa.

Mas fiquei a olhar pela janela e fui vendo paisagens, casas, pessoas, vidas que continuam depois de ter cruzado o olhar com elas. Poderia ter sido um olhar desinteressado, ou um olhar de coração. Vidas que vão trabalhar, que encontram a família em casa, que terão tantas preocupações.

Cada aspecto das nossas paisagens dá-nos a possibilidade de entrar num mundo onde a nossa energia pode entrar em sintonia. Querer ficar fechado nos próprios pensamentos e nas próprias ocupações é ficar na mesma. Certamente não mudei nada na vida das pessoas com quem cruzei o olhar esta manhã. Mas fiz uma oferta da minha bondade por elas, uma oração. E isso já não me pertence. Mas cheguei mais longe, fiz-me mais presente.
 

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