06 janeiro 2009

Em frente a luz

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Todas as nossas opções, se um dia, felizmente, são marcadas por uma certeza de que o nosso caminho mais importante se realiza de certa maneira, são iluminadas por uma luz única. Esta mesma luz é que faz ver todas as outras dimensões da nossa vida, as quais, mais ou menos coerentemente, vamos procurando unificar neste único desejo.


Perder o contacto com esta luz fundamental e primeira, faz desviar a nossa atenção para outros brilhos, tantas vezes mais atraentes, mas que nos damos conta que duram pouco. Ou às vezes são apenas ilusões das nossas obscuridades. E não é fácil ir percebendo que luz espelha a nossa autenticidade.


Muitas vezes, damo-nos conta depois de termos errado caminho. Porém há sempre uma maneira de recomeçar, de voltar a um tesouro perdido, de nos alegrarmos excessivamente por estarmos de novo com a Vida entre as mãos. Um modo de poder recomeçar é recordar as nossas histórias longínquas e recentes, e ver que luz as faz brilhar, para escolher as que são verdadeiramente nossas.

04 janeiro 2009

Visitar

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A nossa história pessoal faz-se de momentos, lugares, pessoas, episódios marcantes que hoje iluminam aquilo que somos. Até as próprias sombras podem ser o lugar de nos aproximarmos de nós mesmos. Em todas as dimensões da nossa história, há sempre dois protagonistas: eu e Deus. A minha memória, inteligência, liberdade, por um lado e, por outro, a maravilha, a companhia e o amor.

Muitas vezes temos tendência em ficar apenas pelos nossos passos, sem nos darmos conta do modo como fomos conduzidos. Também porque a acção de Deus na nossa história não é nada evidente e só nos damos conta dias, meses, ou anos depois.

De todos os modos, eu próprio continuo o mesmo e ao mesmo tempo sou diferente. Olhando para trás encontro-me feliz, ou magoado, realizado ou esquecido. É importante ir dialogando com as nossas diversas etapas, a uma nova luz, a de ser conduzido e amado, senão, ficaremos sempre por episódios acabados que não sabemos voltar a ler e a escrever hoje.

03 janeiro 2009

Ondas

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Hoje senti falta de ver o mar... lembrei-me do verão, do som húmido das ondas. O que mais me conforta no mar é o seu ritmo, a diversidade e a sua perseverança. O mar sempre foi um mistério, esconde mais do que mostra, é demasiado grande para caber num simples horizonte. É sempre o mesmo elemento, água verde, azul, turva, mas sempre novo, calmo, agitado.


Será esta a característica que gostaria de ter? De ser imenso e espelhar o céu, de poder mostrar mistérios escondidos, ser caminho para viagens longínquas? Somos pequenos, e ao mesmo tempo capazes de tanto.


Não há duas ondas iguais, nem ondas paradas. O que faz parte do mar é o movimento e a originalidade. Que molha os meus pés parados na areia, mas leva-me ao mesmo tempo com ele... quase como um regresso à calma do mistério e uma partida para a novidade da Vida.







PS: Proponho esta música "Le onde", de Ludovico Einaudi. E ver-me reflectido neste espelho. Boa viagem =)

02 janeiro 2009

Agradecer

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Somos tantos dons! Às vezes pergunto-me porque somos tão privilegiados por podermos ter amizades profundas, pessoas que são espaços vitais onde encontramos o melhor de nós. Porque algumas pessoas têm verdadeiramente o dom de nos fazer mostrar de modo transparente aquilo que somos.

Se há alturas na vida em que parece que nada acontece de especial, é porque não estamos atentos aos pequenos sinais. E os da amizade e da estima são muito contínuos, mais do que imaginamos. Nem o tempo, nem a distância nos faz des-agarrar as relações fundamentais. E isso cria liberdade e ao mesmo tempo um afecto muito especial.

Somos dons reconhecidos, porque fazemos bem na vida uns dos outros. Isso também é uma grande responsabilidade. Por isso, agradeço cada dia tantos sinais, fazem-me melhor pessoa, e querer sê-lo da forma mais autêntica.

01 janeiro 2009

A Novidade

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O início de um novo Ano aparece sempre acompanhado de bons propósitos, sonhos e promessas. E acho isso fantástico, é um generoso sinal de vitalidade e vontade de querer agarrar a Vida e torná-la melhor segundo os nossos desejos.

Mais cedo ou mais tarde, as contrariedades, medos, desânimos e cansaços vão pôr em questão aquilo que agora fomos prometendo a nós próprios. Então porque insistimos em querer novidade, no fundo, que coisa nos move e nos faz desejar?

Temos no fundo de nós uma certeza grande no optimismo da Vida. Seria um triste sinal se não víssemos possibilidades de crescer, a todos os níveis. Se por um lado, precisamos de ser realistas, por outro, não temos alternativa em ser sonhadores. Pensar o nosso sonho de forma optimista não é, de modo nenhum, ser pouco realista. É cada dia ser capaz de conduzir as nossas energias para o que de belo e bonito temos na Vida. E tudo isto acontece, precisamos estar atentos e gostar mesmo muito do que somos e temos.

PS: E aqui ficam os votos de um Bom Ano de 2009, carregado de gestos felizes, largos e na certeza de que é possível tocar os sonhos com as mãos. =)

Florença

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Estes últimos dias estive em Florença. É um previlégio viver perto destas cidades e ter a oportunidade de visitar com calma um dos espaços que ultimamente mais me tocou. Apenas uma ideia muito simples, a partir de dois pormenores de dois quadros que aqui ponho.







A "Madonna con il Bambino" ou "Maestà di Ognissanti", de Giotto (1300-03), e a "Primavera", de Botticelli (1478). Mais de 150 anos separam estes dois quadros, que agora se podem ver a poucos metros um do outro. Chama-me a atenção o modo de representação da beleza. Desde a solenidade do mistério e da santidade è perfeição da beleza. Apesar de movidos por contextos, épocas e intenções diversas, há algo em comum. A Beleza surpreende na sua eternidade e no modo de aparecer "tocável" e visível onde quer que estejamos.


A arte tem este dom de manifestar as coisas que não se explicam. Talvez por isso cada um de nós é tão misterioso e fonte de tanta bondade.

Nascimento

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Andei um bocado afastado estes dias, ainda por cima em época especial! Mas não foram dias perdidos, antes pelo contrário, tempo de passeio, diversão, contacto com História e histórias. Normalmente vemos a nossa Vida como um sequência de momentos e pessoas que aparecem, acontecem, marcam e seguem o seu rumo. Mas continuo firme naquela ideia que cada dia nos deitamos como pessoas diferentes.

E um ano que passa é uma história encerrada até certo ponto, estamos tão diferentes depois de tantas coisas... nem temos noção do que pudemos ter feito pelo Universo. Nada fica igual depois de gestos amorosos, autênticos e agradecidos. Sobretudo aqueles que recebemos e que nos convidam a dar da mesma maneira, ou ainda melhor.

Não é indiferente para nós que o Natal seja ao fim do ano. É um nascimento feito de uma história de conquistas e presentes surpreendentes. E é tão bom poder ter consciência disso, ficamos prontos para abrir caminhos novos e autênticos.
 

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