09 abril 2008

Contraste

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Quando anoitece em Roma, nestes dias, depois de um dia de sol, o céu fica de um azul forte, muito forte, antes de começar a escurecer. É verdadeiramente estar envolvido num azul intenso, sentado nas escadas da igreja a ver a Cidade regressar a casa, apressada e ruidosa.

Alguém me disse que, de facto, o céu não está assim tão azul. As luzes amarelas das ruas e as cores laranja e vermelho das casas fazem com que haja um contraste grande entre o azul e o amarelo. O azul aparece mais azul e o amarelo fica mais amarelo... Ainda bem que existem contradições e opostos, senão, os meus fins de tarde não seriam mergulhados em ouro e topázio, como uma coroa que envolve o silêncio desta hora.

E fiquei a pensar que tantas vezes seria melhor que tudo fosse linear, que não houvesse motivos de escolhas difíceis... mas é esta a riqueza da Vida... são as escolhas que me levam à busca de ser autêntico e construir-me de forma eterna.E sem contrastes, tudo seria uma pacífica monotonia, bonita, mas monotonia...

08 abril 2008

Ponto de partida

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Em determinados momentos da nossa Vida, quando achamos que há muitas coisas no coração a exigirem de nós, é útil parar e decidir. Não é fácil deixarmos de lado coisas que parecem tão urgentes, já que o tempo é sempre tão escasso e, tão útil para não o perder para estar a mexer em coisas que se esperam vir a ser resolvidas mais cedo ou mais tarde. Se vierem...

Como em tudo, um equilíbrio entre agir e pensar como agir é muito importante. Sobretudo em matéria de sentimentos. Os ponteiros do relógio fazem rodar os sentimentos, quando não temos a coragem e a paz de os fazer girar ao ritmo do Essencial.

Há qualquer coisa parecida com a coragem em fazer isto: de ter para mim mesmo os nomes do que se passa em mim. Tem tanto de salto arriscado como de confiança na paz. Quando sei o que o coração tem e não tenho medo disso, tenho o meu ponto de partida, nem bom, nem mau, é o que tenho e o que sou. E assim posso saltar de braços abertos para o que a Vida me pede, sabendo que só quero ser autêntico e feliz.

07 abril 2008

Mar

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No mar não se fazem muros, nem estradas. Não posso marcar um território só meu e um reino de animais marinhos e algas que me pertençam. No mar só consigo viver na superfície, e ir lá ao fundo é uma aventura que me supera.

O mar tem tanto de assustador como de tranquilizante... é horizonte e é fim. Serve para o atravessar, entre riscos e descobertas. Ir ao fundo do mar é encontrar paisagens que não vejo habitualmente. Fico rodeado de água, na qual não me movo habitualmente.

O mar é livre e quando me recebe, fá-lo totalmente. Não me impede de passar através dele, nem de entrar nele quando quiser. Mas nunca o trago completamente comigo... apenas o ficar molhado e a emoção de ter estado dentro de algo gigante e precioso.

E é este mar eterno que trago comigo, águas criadas pelo espírito de Deus que me levam a entrar em mim, na liberdade, no risco, no encanto, e na Beleza.

06 abril 2008

Transparência

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Assim sem esperar, há olhares que mostram toda uma pessoa, os seus desejos e sonhos, aquilo que pertence ao imaginário que se quer conseguir e se leva para toda a parte.

Há estes momentos em que não se hesita em querer saber o que move a intimidade, qual o segredo de um coração peregrino que só quer caminhar, buscar, perceber. Em toda a minha vida são poucas as vezes em que me encanto com a sinceridade de uma pergunta: o que vai ser de mim?

E é como se um raio de sol descesse sobre uma palavra ouvida que tantas vezes queria ter mais presente, querer ser o que Deus quiser que eu seja. E vê-se paz e consolação nesta mistura de verde de esperança e amarelo de alegria. Uma incerteza tocada por verdades certas conseguidas em toques de alma. E fui para casa agradecer, por me descalçar diante de terrenos fortes e sagrados onde acontecem mistérios de Vida que eu próprio procuro.

05 abril 2008

Ficar mais perto

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Que sejam dias de mudança para algo novo, para o melhor de nós dentro de nós. São bonitos os olhos de luz que arrastam os corações para a felicidade, são bons os abraços que trazem escondidos os sons de uma música que se pode dançar por cima das nuvens.

Precisaríamos de, cada dia, termos decisões mais sérias e mais felizes, aceitarmos que podemos ser livres, grandes, viajantes de horizontes novos.

Há sempre uma maneira de recomeçar o que se quiser... =)


03 abril 2008

Em busca de paz

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A paz dentro do coração não é um caminho linear. Sobretudo porque não se chega lá através de um esquecimento ingénuo dos pesos da nossa história. Há uma dimensão de luta corajosa diante de muralhas que se erguem em nós, e às quais vamos tentando escapar, andando às voltas para evitar encontros óbvios.

Um coração marcado por um desejo de paz não tem medo da verdade, de se pôr diante de tudo com vontade de ficar esclarecido, para chamar pelo nome as coisas que são ridículas e as coisas que são importantes.

A paz ajuda a decorar a casa com cores e flores bonitas e a atirar pela janela sombras que se desfazem com a luz do sol. E é admiravelmente eficaz em fazer isso. Depois, abre-se a porta, escancarada, sorri, respira fundo e caminha com passos plenos.

01 abril 2008

Dias de sol

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Começou já a primavera, com sol e calor... dias de perfumes intensos e vontade de estar a olhar para fora da janela a completar pormenores interiores que precisam de arranjar o seu lugar melhor.

Quando algo muito grande nos é dado, fica esta oportunidade de sentirmos a pequenez, de tentar dizer em palavras tímidas que não era preciso tanto... tudo porque somos olhados assim, de forma completa e amada.

Pergunto se valerá muito a pena gastarmos pensamentos em pensar que recompensas devemos ter dos nossos esforços e esforçarmo-nos por termos um quadro completo do que sucederá daqui a alguns dias, meses ou anos... Da experiência vamos ganhando a certeza de que as surpresas são mais e maiores do que imaginamos. Se algo de nós pomos nas nossas expectativas, acredito que muito mais deve ser posto no modo de estarmos abertos.

Porque senão, o sol aquece sem nos aquecer e vivemos rodeados de sons e perfumes sem os ouvir e sem os cheirar.
 

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