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06 março 2007

De quem eu sei

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O modo como Jesus nos conhece é tão insondável. Vê tanto para além de nós mesmos. A minha história vai sendo pouco a pouco descoberta num lugar secreto. Ao qual preciso ir todos os dias.

Já se tornou parte do meu presente ouvir no meio do silêncio e deixar entrar os ruídos do dia, fazendo deles uma música que faça sentido.

Muitas vezes, há coisas de fora que levo para este lugar que teimam em desarrumar a casa. E procurava fechar portas e janelas para estar convencido de que isto não era tão importante. Deixar desarrumar a casa foi um tempo de transformação, mais profunda do que imaginei. E não consigo viver já sem esta desordem. É a minha mais simples verdade...

Consegui ser com tudo o que acontece, e sem perder nada do que me pode tirar a ordem e a paz. Sinceramente, seria ingénuo querer viver num mundo perfeito, quando fora do meu lugar existe uma confusão constante. Este lugar é tão profundo e radical, tão quente e acolhedor, como aberto a todos os ventos e tempestades.

Diz Deus: "Porque confias, deixas-me ser a tua tempestade, tu, de quem eu sei tudo..."

14 dezembro 2006

Construção

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A experiência comum com pessoas que conhecemos bem leva-nos a fazer coisas muito bonitas. Ontem ajudei a fazer uma oração. E iam saindo ideias misturadas com experiências de Deus e recordações. Mais as novidades e os apartes de quem tem sempre muito para contar.

E pouco a pouco foi nascendo um projecto simples de um caminho. Que parte de um mesmo Deus, por dois corações diferentes, e que leva ao mesmo Deus.

Ser verdadeiramente tocado pela missão de "levar os meninos a Jesus" torna natural um tipo de conversa que não é fácil ter numa mesa de café, ou durante os ruídos do dia. É descer a uma sala com lume aceso e preparada para um encontro futuro. É apenas uma passagem tão simples, uma pausa antes da viagem. Feita por nós, pelos outros.

As amizades que tenho o dom de ter como jesuíta são estes espaços de intimidade e distância. Parece um equilíbrio difícil. Mas para quem confia nas marcas de Deus na Vida, é tão espontâneo como consolador.

26 novembro 2006

O Momento

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É um exercício tão simples, mas tão difícil de ir percebendo o que é realmente. Sobretudo o que pode vir a ser e onde pode levar.

Nos últimos tempos tenho feito o exercício de tomar em cada dia um momento e fazer dele algo. O que se pede da minha parte é um pouco de atenção e algum tempo para o amadurecer. Podem ser tantas coisas, que acontecem a partir de uma frase que se ouviu, de um rosto que passou por nós na rua, de algo bonito que fiz ou senti. De algo até que me fez sofrer. E reter esse momento como uma fotografia, para a ver depois, mais tarde, no coração.

No fundo o olhar que descobre é o mesmo que é capaz de amar o que descobriu. É um mistério de pegar num momento da Vida e transformá-lo em existência plena, que vai do mais fundo ao mais pleno, do mais sensível ao mais eterno.

É deixar que o coração leve este momento a uma entrega ao plano de Deus para nós. Somente deixar que a Vida seja amada. E o que acontece não se percebe nos nossos sentidos, só se sabe que é esta mesma força que nos vai modificando e santificando. E os momentos multiplicam-se, até chegarem a ser a totalidade da Vida.

19 novembro 2006

À tua espera (oração)

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Porque às vezes custa tanto acreditar que há sempre um lugar de abrigo, onde o tempo se encontra a deixá-lo passar no seu ritmo. E a espera torna-se sentido e comunhão. De quem nunca se perdeu, porque sempre preparou o nosso lugar. E da melhor maneira possível.

Uma imagem como essa cresce o desejo de estar simplesmente, olhar e deixar-se olhar, ouvir e deixar-se ouvir, tocar e deixar-se ser tocado.

29 setembro 2006

Havia lume aceso e um lugar para mim

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Regressei. Voltei verdadeiramente.

Como quando se sai de casa com a mochila às costas cheio de nada, mas com o pressentimento de Tudo. Caminhando por entre memórias e factos passados, de grandes desejos presentes e de um futuro mais certo que nunca.

Porque nunca se poderá evitar o nosso futuro. O "para onde" os nossos passos se dirigem, quer queiramos que não.

E é nesta luz difusa que se escrevem memórias do futuro, em que o Sonho se faz Vida, em que nos tornamos tão presentes no mais autêntico de nós. E é verdadeiramente impossível deixarmo-nos ficar parados quando esta luz nos traz de novo a casa.

E foi experimentar o click comigo mesmo. Voltar a casa, entrar no meu quarto e ve-lo iluminado, limpo, arrumado, pronto para chegar e pronto para partir.

Uma experiencia de Exercícios Espirituais é deixar-se ser conduzido até ao extremo do impossível. E, subitamente, dar-se conta que todos os nossos medos são as nossas coragens e que todas as nossas tristezas são a maior fonte de alegria. Porque Alguém morre para dar vida, porque se identifica com a Humanidade para verdadeiramente Viver com ela para sempre. E disso, repito, nunca estaremos livres.

Só nos resta aceitar e agradecer, por tudo ser assim... tão pleno...

18 setembro 2006

De partida

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Dentro de dois dias vou fazer Exercícios Espirituais. Oito dias só, de silêncio, para estar com Jesus.

Entro no meu quarto, percorro memórias de locais interiores, imagens de luz e sombras que se confundem no Mistério da Vida, que mostram como é longo o caminho até ao Essencial, mas como a Presença se vai manifestando em momentos pontuais de risos e lágrimas, de um coração a bater à velocidade do som, ou parado em falsas nostalgias.

Olho as paredes, apetece-me arrancar fotografias e quadros, tirar as preocupações desocupadas de cima da mesa, apagar apontamentos, despejar gavetas cheias de segredos.

E ficar num espaço vazio, um tapete, joelhos no chão e olhos na única Cruz, aquela que verdadeiramente fala que a Vida só é assim se for dada, numa generosa e inconcebível entrega.
Levar o coração cheio de nada, e mãos a querer largar as inutilidades tão significativas.

E deixar-me guiar, acompanhar, fazer presente, sonhar de pés no chão e olhos na luz indecifrável do gesto de quem diz: "És precioso a meus olhos".

16 setembro 2006

Rezar Me

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Tenho estado a ler alguns livros sobre oração e vida espiritual. Já li muitas coisas sobre isso, mas agora resolvi começar do nada, como se tudo fosse novo. E, de facto, assim é!

Neste livro que estou a ler, fala de um tipo de oração que me tem trazido muitas surpresas. Antes de começar por uma oração de tipo racional, querendo descobrir razões para os próprios Mistérios, meus e de Deus, devo fazer o esforço por rezar tudo aquilo que sou, nas coisas mais comuns, naquilo que levo para toda a parte, o meu corpo.

Porque somos corpo, temos sentidos, dores, cansaços, estados de alma alegres e menos alegres. Rezar as minhas mãos, os meus braços, os meus olhos, os meus pés, é por-me na presença de mim mesmo, enquanto existo na minha mais radical humanidade.

E é tão bonito descobrir que há toda uma história de sensações, de dádivas generosas e posses egoístas, de caminhos feitos e braços cruzados, de pernas cansadas e mãos fechadas.


Essa é a minha realidade, a que contemplo quando me contemplo. E é uma história de amor, olhada como algo precioso, perdoado, querido, sonhado para coisas que fazem um corpo ser de Deus.

E é a este olhar que me volto, como sou, e deixar-me ser amado... e perdoado.

06 setembro 2006

A Presença

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Quando cheguei a Roma, nos primeiros dias tive a sorte de me cair nas mãos um CD de uma religiosa que estuda aqui em Roma. Verdadeiramente, foi a minha boa-vinda a Roma.

Ontem tive a graça de a conhecer pessoalmente, e hoje a alegria de poder cantar e tocar guitarra com ela durante toda a tarde, para preparação de um espectáculo muito especial este Sábado, do qual falarei quando acontecer! =)

Foi uma tarde muito bonita... mas fico só com aquele minuto... Quando ficámos sós para começar o ensaio, ela propôs: "Podíamos fazer uma pequenina oração, não era bom?"


E aquele minuto a ouvi-la rezar e fazer silencio, prendeu-me por dentro. Poder parar apenas e dizer: Jesus estamos aqui, como sabemos que tu estás aqui. Fica connosco.

E percebi que Deus era tão natural nela, e que aquilo que ela canta, e que é lindíssimo, é apenas uma pequeníssima parte de toda a sua música interior, que ela exprime como é e no que faz, com tanto Amor e Simplicidade. É tão bonito ver assim uma pessoa tão bonita!

E quase bloqueei para escrever este post. Porque não sei se às vezes as minhas palavras, o que digo e escrevo, partem de uma fonte assim tão grande. E percebi que não sei mesmo, mas que Deus me habita e me faz acreditar que tudo faz sentido, e eu deixo-me levar por esta confiança. Por esta Presença.

Se em pequenos momentos do dia fossemos capazes de parar, sozinhos ou com outra pessoa, e dizer: Jesus, estamos aqui... Só isto! E podermos fazer de um simples ensaio uma oferta da Vida.
 

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