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12 outubro 2009

Tesouros

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Existe uma palavra italiana que não consigo traduzir bem em português: custodire. Poderia ser guardar com cuidado, mas significa algo mais. Há coisas que guardamos como um armazém, sejam coisas materiais, sejam as nossas memórias. E há outras coisas que guardamos com sentimento, fazem parte de nós, quer coisas materiais, quer as nossas memórias.

Normalmente, aquilo que guardo (custodisco) são objectos sem valor, que cabem no bolso. Aquilo que é verdadeiramente importante, vai connosco para todo o lado, não ocupa espaço, mas significa uma parte muito importante da Vida. O que importa não pesa, nem atrapalha.

As memórias que guardo (custodisco) são poucos momentos em que pude dizer: Aqui está, é isto que quero ser, é isto que significa verdadeiramente, é isto que Tu és para mim. Não são necessárias enciclopédias de definições que expliquem os nossos passos maiores. Simplesmente acontecem.

Tesouros que têm valor por si mesmos, não pelo que se pode classificar exteriormente. Fazem parte de nós, somos nós.


04 janeiro 2009

Visitar

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A nossa história pessoal faz-se de momentos, lugares, pessoas, episódios marcantes que hoje iluminam aquilo que somos. Até as próprias sombras podem ser o lugar de nos aproximarmos de nós mesmos. Em todas as dimensões da nossa história, há sempre dois protagonistas: eu e Deus. A minha memória, inteligência, liberdade, por um lado e, por outro, a maravilha, a companhia e o amor.

Muitas vezes temos tendência em ficar apenas pelos nossos passos, sem nos darmos conta do modo como fomos conduzidos. Também porque a acção de Deus na nossa história não é nada evidente e só nos damos conta dias, meses, ou anos depois.

De todos os modos, eu próprio continuo o mesmo e ao mesmo tempo sou diferente. Olhando para trás encontro-me feliz, ou magoado, realizado ou esquecido. É importante ir dialogando com as nossas diversas etapas, a uma nova luz, a de ser conduzido e amado, senão, ficaremos sempre por episódios acabados que não sabemos voltar a ler e a escrever hoje.

13 novembro 2008

Riqueza interior

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Se fizer uma história dos meus momentos significativos, em que descobri algo mesmo importante sobre a amizade e as relações, ou sobre mim mesmo, vejo que estas memórias vêm associadas a lugares. A nossa vida tem o seu espaço e as coisas bonitas e grandes da vida acontecem em paisagens escolhidas ou que parece que foram feitas de propósito para nós, naquele momento.


Quando procuramos um espaço para encontrar a nossa verdade amada, precisamos também de rituais e santuários. Um lugar onde o fascínio aconteça, onde algo de eterno tenha a nossa carne e fale a partir das nossas coras.


E este espaço de verdade acontece em nós. Se temos verdade, e é certo que a temos - tantas vezes nos esquecemos disto - o espaço da verdade é de uma beleza quase infinita, insuportável até, se comparada com as pequenas ruas por onde vamos gastando e arrastando a beleza. Cuidar este nosso espaço é acreditar nele e maravilharmo-nos com ele. Acontece tanto em nós quando estamos dispostos a que aconteça!

27 junho 2008

Fim de tarde

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O entardecer tem um ambiente de tranquilidade, começam a diminuir os rumores do dia, sabe bem a brisa que corre. Começa uma parte do dia que quase nunca é dedicada a trabalhar, ou a ter de lidar com o relógio. É o tempo de chegar a casa, estar com os amigos, ter a noite por sua conta...

O final de um ano, com a perspectiva das férias, de regressar aos lugares de origem, tem muito deste sabor de sol laranja, em que se respira profundamente e se deseja aproveitar melhor o que se pode viver. Rever caminhos e dias feitos em meses-de-todos-os-dias.

Antes do tempo de estar pacificado, há um gesto de apertar as mãos diante da janela, resumindo e esmagando as sensações perdidas e os lugares que ficam para trás. Começam saudades. É preciso agradecer sempre, sem cessar. Se não, ficamos com tesouros de cristal nas prateleiras da memória, com pó, por não ter cuidado deles. Arrumar, limpar, maravilhar.

11 abril 2008

Se fossem quadros

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Qual seria a minha galeria de arte, onde pusesse nas paredes sentimentos e histórias significativas? Se passasse tudo em grande velocidade, ficaria a impressão que a luz não tinha tempo de desenhar todas as cores. O meu mundo é imenso.

E percebo que João acabe o Evangelho a dizer que se se pusesse por escrito tudo o que Jesus fez, o mundo não poderia conter os livros que se teriam de escrever. Não é nada distante da realidade... Se considerar os toques importantes da vida e os gestos que construí e me construíram, sobretudo os que partem de corações amáveis e amados, não acabaria no resto dos meus dias de agradecer... e às vezes perdoar e pedir perdão.

A Vida é impressionante e perdemos tanto em querer vive-la com uma intensidade que tire o sabor que tudo tem. Porque encontrarei tantos quadros incompletos, apenas esboços, sem o toque que daria a genialidade do artista.

07 março 2008

Entre o ter e o deixar

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Quando tenho a oportunidade de poder rever a minha Vida, e descobrir os pontos significativos, dou-me conta que vamos vivendo sempre num jogo de liberdades. Talvez a característica maior daquilo que procuro são os desafios constantes de dar e esperar receber. E de dar sem esperar receber.

Encontro muitas vezes a complexidade do bem que fazemos na nossa Vida e como isso nos constrói, porque marcámos caminhos nossos e dos outros. E é tão frequente que, depois de determinadas decisões, nascidas de momentos eternos, já não se pode voltar atrás, nem apagar do mapa das nossas referências.

Há dias de liberdade plena, ou um sussurro de dizer que basta um único amor, que nunca deixou de existir desde o dia em que se pôs pela primeira vez o sol. A liberdade maior é desprendida, faz com que o ter tenha a marca do deixar... e caminhar com pouco peso, um coração aberto ao vento e ao mar.

31 janeiro 2008

Como vejo o mundo

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Quando se cumpre qualquer coisa prometida, vem um momento de descanso e consolação, por ter feito bem o que devia ser feito... e fica-se cheio de vontade de continuar. As etapas acabadas são sempre mais parecidas com caminhos começados.

E são momentos privilegiados de ganhar distância, subir através das memórias e olhar para o que foi acontecendo... e acrescentam-se pontos, melhoram-se cores que deviam ter lá estado, ou maravilha-se com o que foi verdadeiramente surpreendente.

Um olhar desde cima para um mundo desejado e conseguido é motivo de uma esperança grande, subi mais alto na minha montanha e tornei-me mais capaz de saber do que sou feito e para onde me encaminho.

20 janeiro 2008

As marcas deixadas

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A nossa história deixa marcas na nossa Vida, e fazemos com elas um álbum de fotografias coloridas que desejaríamos nunca deixar de olhar. Como se o que lá está nunca devesse ter passado... e há marcas na nossa vida que são fotografias rasgadas e deitadas fora e que nos acompanham como cortes de alma e pele às vezes difíceis de curar.

Sempre podemos fazer das memórias um museu, e olhamos para elas através da vitrina, onde se vai acumulando o pó de me convencer a mim mesmo que tudo passou e nada tem nada a ver comigo.

Não é assim.

As marcas da minha história, levo-as comigo. E se eu pudesse agarrar o esquecido e levá-lo de novo à luz do sol? Porque só vejo o sol que brilha hoje, e é a sua luz e o seu calor que decidem o que hoje vivo e sou. E trazer à luz é amar e entregar... as coisas passadas estão aqui, mas já não as posso ver com a luz do sol que se pôs há tanto tempo atrás...

21 dezembro 2007

Vida de origens

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Há alturas em que sinto mesmo necessidade de ir ao campo, depois de muito tempo no meio da cidade. Por ser esta a minha origem, uma terra de cultivo e rebanhos.

Há um simplicidade que começa com o nascer do sol, onde não se ouvem os carros, mas uma vida calma, com rituais precisos. É fácil encontrar as mesmas caras à mesma hora e tudo corre com um tempo que tem tudo de completo. Vivo tanto de mim em memórias destas...

Este Advento pode ser uma descoberta de um tempo simples, levado por dentro, em contacto com a terra que pisamos. Além disso, é na vida de pequenos pastores que surge a notícia de que o Céu está entre nós. Talvez não fosse, por isso, uma surpresa demasiado grande. Havia espaço e tempo para acolher qualquer coisa incompreensível, mas que leva o selo da eternidade.

03 dezembro 2007

Gestos simples

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Há sempre algo a fazer no caminho de nos encontrarmos a nós mesmos. É uma consequência do deixar-se levar na confiança; naturalmente as coisas desprendem-se de nós e vão ficando arrumadas no coração como momentos de Vida plena, ou como partes de nós deixadas pelo vento da saudade e de memórias felizes.

Não serve para nada guardar mágoas antigas... o que aconteceu teve a sua necessidade e o seu caminho, e o coração tem tempo para as agradecer e sorrir com elas.

O que daria eu para poder dizer que está perto de nós o poder de abraçar o próprio coração e ficar maravilhados por sermos assim, mais sós que nunca, mas rodeados da nossa mais intensa Verdade.

Quem ama nunca está só, porque percebe a Palavra que cria todas as relações e confunde as nossas classificações e os nossos egoísmos. Sou como sou, deixado cair à terra na maior liberdade e esperando o dia em que abrir os olhos quando a chuva me molhar a cara.

22 outubro 2007

Memória e Esperança

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Há uma leitura possível dos acontecimentos da Vida que acredito que me dá um horizonte enorme e um espaço para poder ir percebendo alguns mistérios escondidos e estar preparado para os acontecimentos que vierem.

Tem sido importante reconhecer nos momentos fortes do passado uma linha que os vai unindo. Como se passasse por casas diferentes, mas todas são iluminadas pela mesma luz. Vejo a partir de cima um abraço que me trouxe até aqui. E não tenho motivos para duvidar que continuarei a ser abraçado com a mesma força.

Porque este abraço é sempre o mesmo, e que se dá continuamente... às vezes estou longe de mim mesmo e não o percebo... e é tão bom viver estas memórias e confiar nas promessas. Vivido como quem não vê, mas apenas sabe com o coração.

06 julho 2007

Portas

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Encontro futuro nos abraços do passado. Se, por um lado, é bom ir olhando para trás e perceber que as coisas mudam e ficam diferentes, por outro, vejo que fui sendo construído até ser o que sou hoje.

Sobretudo ao rever as portas que se abriram em momentos de dúvidas e soube confiar no trabalho das mãos e na bondade de coração. Com a força de Deus, aquela que ilumina as coisas todas da Vida.

O passado fica como um álbum de passagens conseguidas para coisas novas, de ver sementes que deram frutos. E quando esperava que a terra fosse árida, surpreendo-me hoje com florestas cheias de sombra e água fresca.

Por isso, o futuro são outras portas que, daqui a uns anos, olharei a partir da sensação de ter conseguido algo. Custa dar o salto da confiança, quando esta tem de ser posta em gestos. Mas vale tanto a pena.

29 junho 2007

Final de etapa

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Têm sido estes os últimos dias de Roma. Chega o final do ano e a altura de regressar para as férias a Portugal. Depois de um mês de ritmo de estudo, são alturas de percorrer a Cidade com um coração mais atento.

Visitando sentimentos de primeiros olhares, ainda cheios de perguntas. Passos cansados e às vezes magoados. Passear pelas ruas é revisitar pequenos acontecimentos, os de todos os dias. Com momentos significativos e tantas consolações.

Tenho sorte na Vida que tenho... um dom que não me lembro todos os dias. E fazer, no fim de tudo, um abraço completo e descobrir que tudo tem um sentido escondido.

Tenho aprendido que, no final de uma etapa, há sempre um olhar positivo. Sinal de ter superado qualquer coisa, por muito difícil que tenha sido. Felizmente não foi o caso, mas no final deste ano, olhar para trás e ver tudo como um dom gigantesco, que aumenta a capacidade de amar, é uma experiência muito construtora.

24 junho 2007

Se houver qualquer coisa

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Há dias em que se acorda consciente das coisas bonitas. Em que apetece passear em campos conhecidos, aqueles que nos trouxeram certezas em dias importantes.

Visitar o passado é descobrir um caminho que se fez e tomar asas que nos fizeram em tempos voar para onde se está agora. O que é mais bonito no passado, são os tempos de consolação, a que fica... mesmo depois de hora difíceis. Porque, um dia, sempre acabamos por nos consolar.

O passado joga-se em memórias e liberdade. Há coisas que fizeram parte de nós, sem as quais não somos o que somos hoje. Mas se houver qualquer coisa definitivamente importante lá atrás, nunca nos chama para que olhemos para trás das costas. É a primeira a empurrar-nos para a frente.

São lugares guardados, os melhores pontos de partida. Se houver qualquer coisa que fale da liberdade entregue e feliz, são estes momentos, situações e pessoas. Uma verdadeira amizade.

24 maio 2007

Em viagem

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Tenho vontade de viajar para longe, levando comigo todo o meu mundo. O que torna os passos pesados é pensar demasiado no que perdemos quando saímos dos nossos lugares. Interessa bem pouco para o meu futuro.

A minha história faz-se de memórias e conquistas, mais que sentimentos de ter deixado algo para trás. Deixei o que me podia pesar na capacidade de sonhar com coisas longínquas. Viver um quotidiano de surpresas previsíveis acaba por ser tão pouco brilhante.

Porque no caminho mais livre se descobrem os pequenos encantos, porque não se olha para mais nada, senão para o facto de estar a conseguir caminhar de modo pleno.

Não é que tenha conseguido atingir o que quero, até porque a alegria plena está-me preparada sem que saiba no que vai consistir. Isso é melhor que uma fonte de água fresquinha no meio do deserto.

06 maio 2007

Mãe

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Hoje é o dia da Mãe! Não é fácil encontrar uma imagem ou uma cor que me fale da Mãe.

São sobretudo pequenas recordações, aquele beijinho e a oração ao anjinho da guarda, quando já estou deitado para dormir. Acordar com a porta fechada do quarto, para não ouvir o barulho da casa e poder dormir descansado.

São as primeiras memórias, as primeiras verdadeiras experiências de ser amado. Ainda quando não se percebe e não se tem capacidade de agradecer. Como se um dia se fosse capaz de agradecer a fundo...

Tenho um orgulho enorme na minha mãe... somos muito parecidos em muitas coisas, mesmo fisicamente. Aprendi o valor da calma, do silêncio e sobretudo da simplicidade. De pensar mais nos outros que em si. Cresci com alguém que é exemplo de uma vida completa e entregue. E continuo a perceber e a abraçar o que isto significa.

Parabéns! =)

03 maio 2007

Lugares comuns

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No fundo do quintal da casa, existe uma zona de arrumações. Para além do muro, estende-se um campo imenso, de céu e árvores. Sem lugar para uma cadeira, nem sítio para estender as pernas e ler um livro. Não fica bonito estar ali, no meio do estendal.

Entretanto, passam meses sem lá ir.... chegou a altura de andar por outras paragens, a vida agita-se assim normalmente sem fazer mal a ninguém.

Numa cidade muito longe, num fim de tarde. Passear pelas ruas escondidas... aquelas que nem entram nas fotografias. Através de muros que escondem os fundos dos quintais. Ouvem-se as vozes, ou o som de qualquer coisa a ser atirada para ali...

Os sons da nostalgia... em cada lugar distante de nós ouvem-se os mesmos gestos, que trazem o calor de casa. Sobretudo aqueles de todos os dias, que despertam aquela vontade de ser mais simples... e mais profundo em tudo o que é comum.

30 abril 2007

História(s)

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Tenho estado estes dias, aproveitando este fim de semana prolongado, a fazer de guia da cidade com algumas pessoas amigas. E aproveitar os passeios e as visitas para estar num ritmo que, habitualmente, não tenho aqui. E que a maioria das pessoas que aqui vêm fazem.

Contactar com as maravilhas do passado é sempre um tempo de rever o presente. Perceber como eu faço parte de muitos anos de tradições e acontecimentos, bons e maus, que me permitem perceber-me a mim mesmo e ao mundo.

Cruzar histórias de civilizações com milhares de histórias de pessoas que se cruzam connosco na rua. E ver tantos pontos comuns, de como, no fundo, todos somos muito parecidos em algumas coisas... por caminhos diferentes, mas em mundos de experiências interiores e exteriores que fazem com que se sinta o mundo humano com maior plenitude.

É uma rede complexa de línguas e culturas, este mundo em que estamos. Mas há tanto em comum... tudo aquilo que nos faz sonhar com a possibilidade de fazer um mundo mais feliz.

21 abril 2007

Sopro leve

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Memórias de casa. No terraço de minha casa, em pleno coração da Beira Baixa. Um dia de muito calor, mesmo à sombra, em que se espera o momento da primeira brisa. Que vem tarde, quando desapareceram os rumores da estrada.

Aparece para quem esteja à espera, como quem sai de casa e sente o vento a acariciar os cabelos. É uma brisa suave e quente, que traz ainda o calor das pedras e os cheiros dos campos depois do pôr do sol.

O corpo não precisa de mais nada naquela altura, senão deixar-se levar no encanto deste mistério. Porque a alma se fez mais transparente e resolveu explicar ao corpo o que significa ser acariciado e levado nas mãos, por uma Vida tão mais absoluta.

Hoje um companheiro disse-me no corredor de casa, que acordou muito mal disposto. E que lhe bastou um minuto a meio da manhã, e disse: salva-me!. De repente, vi-me ali, no terraço de minha casa, à noite, no coração da Beira Baixa.

01 abril 2007

Lugares do esquecimento

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Folhas caídas de tempos antigos. Sinais de vida cheia que traz todas as promessas. Num caminho de sol e areia, com mar ao fundo, rostos trazidos em ventos que levam a música para longe.

Uma arca escondida dentro de nós, onde cresceu uma casa, cheia de ouro e espelhos. Ainda lá estão as cadeiras vazias, e ouve-se o estalar da madeira, quando os pés dançavam no salão.

São lugares de esquecimento de mim próprio. Basta-me uma nota e uma cor. De estar só com o Universo e cheio de plenitude. É bom não ter nada que fazer, a não ser deixar-se ser abraçado. No mais fundo.
 

Cidade Eterna © 2010

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