29 junho 2008

Ferias!

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Quarto arrumado, malas feitas e pronto para sair. Saio hoje de Roma, para as minhas férias. O tempo de férias é especial para poder viver a recompensa e os frutos de um ano de trabalho e desafios. Se, cada dia, nos deitamos diferentes de quando nos levantamos, ainda mais estamos diferentes no fim de um ano lectivo.

Este ano trouxe surpresas, confirmações, reconhecimento de limites e fragilidades, medos e coragens. No caminho da autenticidade, é importante reconhecer as paisagens e as cores das consolações, os desenhos pintados num mapa de estrelas que nos guiam desde o mais profundo... para Deus e para aquilo que Ele quer de mim.

Acredito na santidade e nas formas simples de a fazer presente no meio de tudo o que somos e fazemos. E rezo, peço orações, para que este tempo seja a consolação das memórias e o desejo de ser coerente no que se recorda. Para que, transformado, possa transformar. Boas férias e bom final de exames e trabalho para quem ainda está à espera de dias mais tranquilos! =)


PS: Os próximos três meses vou estar mais ausente, mas vou procurando escrever quando houver oportunidade.Obrigado pelas visitas,comentários e estímulos ao longo deste tempo... se escrevo com gosto é pelo que vejo que se pode fazer e transmitir. =) Rezo...


27 junho 2008

Fim de tarde

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O entardecer tem um ambiente de tranquilidade, começam a diminuir os rumores do dia, sabe bem a brisa que corre. Começa uma parte do dia que quase nunca é dedicada a trabalhar, ou a ter de lidar com o relógio. É o tempo de chegar a casa, estar com os amigos, ter a noite por sua conta...

O final de um ano, com a perspectiva das férias, de regressar aos lugares de origem, tem muito deste sabor de sol laranja, em que se respira profundamente e se deseja aproveitar melhor o que se pode viver. Rever caminhos e dias feitos em meses-de-todos-os-dias.

Antes do tempo de estar pacificado, há um gesto de apertar as mãos diante da janela, resumindo e esmagando as sensações perdidas e os lugares que ficam para trás. Começam saudades. É preciso agradecer sempre, sem cessar. Se não, ficamos com tesouros de cristal nas prateleiras da memória, com pó, por não ter cuidado deles. Arrumar, limpar, maravilhar.

26 junho 2008

Descanso

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Acabei os exames! =) É sempre um momento de alívio e entrada no tempo de descanso e férias. Os dias de exame têm sempre a sua tensão natural, em que lutamos contra o relógio e contra a vontade, esperando recompensas às vezes não conseguidas...

Como tudo, o nosso esforço resulta da concentração da nossa disponibilidade para alcançar alguma meta. Movermo-nos pelos nossos objectivos, mesmo que por vezes não seja o mais confortável, é um treino que não devemos deixar de estar atentos e agradecer.

O agradecimento é a chave para nos darmos conta do que construímos, sobretudo por dentro. Não somos os mesmos depois de termos feito algo significativo. Se a nossa energia nos põe em movimento no início, o descanso do fim é o momento de olhar para trás com alegria. Por ter feito caminho...

22 junho 2008

Segredos

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Todos temos os nossos segredos. São partes de nós, das nossas histórias, coisas boas e más que guardamos e nos fazem aquilo que hoje somos.

Porém há segredos que é uma pena que não sejam conhecidos. Talvez porque, na maioria das vezes, não é fácil falar deles, porque são coisas íntimas, ou porque simplesmente não encontramos palavras que os consigam dizer totalmente.

Muitas vezes pergunto-me sobre o segredo de determinados olhares ou determinados gestos. Sobretudo quando percebo que é algo que não tenho e gostaria de ter. Acredito que, à nossa maneira, os nossos segredos também se expressam na forma como estamos e no que fazemos ou dizemos. Talvez fosse bom que os segredos das nossas coisas grandes pudessem ser mais espontâneos, sem medo de os fazer brilhar. Porque são muito iluminadores, para nós e para os outros.


21 junho 2008

Santidade

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Pergunto-me muitas vezes se é possível chegar à santidade. Sobretudo quando os nossos limites são tão visíveis que o ser santo fica reservado a quem tem mais paciência, mais virtude, ou quem sabe rezar melhor.

Contudo, uma coisa que sempre observo no meu dia-a-dia é o desejo de continuamente melhorar, mesmo apesar de andar para trás às vezes. Seria, por isso, uma espécie de motor do desejo para a perfeição. Mas acredito que não é apenas isso.

A santidade acontece quando deixamos ser em nós aquilo que de mais radical nos é dado, que é a capacidade de ser simples e não fazer muitas contas acerca dos resultados. Será qualquer coisa como aceitar que muito é feito em mim, mesmo que não dê conta, mas que cresce em frutos e flores para os outros e para o mundo. É deixar seguir o crescimento que tenho para as coisas mais bonitas e melhores. Porque temos o Espírito nos nossos corações, o dado mais importante está lançado, é preciso fazê-lo jogar.

19 junho 2008

Se é bom perder?

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Estranhamente, não estou muito triste nem desiludido com a derrota de Portugal no Europeu. Até do futebol se aprende, ainda por cima gostando muito =)

Estas coisas de expectativas não realizadas acontecem em nós de forma que, na maioria das vezes, não podemos controlar. Como tudo, o risco e a surpresa traz boas e más consequências. O que importa é poder lidar com tudo com liberdade, no bem e no mal.

Porque até no bem precisamos ser livres, para aceitar e agradecer, e para não ficarmos parados só porque tudo nos corre bem - nos estudos é uma das minhas maiores tentações. Mas se algo corre menos bem, a liberdade é maior para poder aguentar contrariedades. Crescemos tanto com dias e momentos "não". É um desafio enorme àquilo que é a nossa maior capacidade: conseguir ir além do óbvio.

16 junho 2008

Humildade

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Aprecio mesmo muito a humildade, acho que é das características mais fascinantes de uma pessoa. Até porque vejo que muitas vezes não o sou, e sou apanhado em pequenas armadilhas de amor próprio ferido, de incompreensão dos outros, ou o simples desejo de ser o mais genial de todos.

A humildade tem muito de verdade. Sobretudo aquela que aceita os dons com naturalidade e nos faz afirmar a bondade das nossas qualidades pessoais e de como temos a capacidade de olharmos para nós e vermos que somos pessoas grandes, bonitas e boas. Porque normalmente confundimos humildade com o achar que valemos pouco. Mas é exactamente ao contrário! É humilde quem é gigante de coração.

Reconhecer os nossos erros e fragilidades também nos faz humildes porque reconhecemos que há sempre caminho a fazer. Ser quem somos, tesouros em vasos frágeis. Seria bom ser cada vez mais tesouro e não olhar só para o barro. O tesouro alegra quem o descobre e quem pode trazer coisas bonitas para a vida através dele. Ser tesouro para alguém, isso é mesmo bonito...

15 junho 2008

Certas coragens

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Quando dizemos sim, pomos em marcha uma série de acções que tem a ver com uma decisão. Há sempre um pensamento que faz decidir, pesa consequências, repara que dizer sim implica por vezes também dizer não. Talvez seja isso o mais difícil das decisões, querer dizer sim ao que aparece, sendo diplomata com os não.

Em coisas fundamentais, a concorrência é desleal, sentimo-nos de tal maneira invadidos por um desejo de plenitude que nos pomos inteiramente nas nossas respostas. Quando queremos manter o conforto de tornar uma decisão fácil, fica um desconforto de alguma inautenticidade que, quase de certeza, nos vai trazer alguns problemas.

Dizer sim, sim, ou não, não. Isto vem no Evangelho. E tem mesmo razão de ser. Não há sim sem dúvidas, mas também não há sim sem coragem. Para quê? Ser feliz e autêntico, generoso e coerente.... isso é um motivo gigantesco e um peso que se deve ter em conta.

14 junho 2008

A música

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É companheira dos dias de viagem. Faz parte essencial daquilo que um dia reparei que poderia ser o elemento espiritual da matéria, uma espécie de imagem de mim mesmo. Não ficar perdido em desacordos e tentativas falhadas de conseguir estabelecer os meus próprios limites, mas ser capaz de criar sem eles.

A música tem aquele movimento parecido com o vento, que se ouve sem se saber o que é. Que arranca da alma emoções de agradecer ou rejeitar. Não há ouvidos indiferentes a grandes sinfonias. Quem não as ouve é porque não quer ouvir, mesmo tendo estudado tudo sobre muitas coisas.

Quando for capaz de ouvir a essência dos gestos que produzem os sons apetecíveis, serei uma espécie de anjo que vive acima das nuvens, sabendo que o chão duro é o melhor que tenho para pisar. Depois disso, de querer e ter decidido ouvir, terei força de não ter medo e braços que verdadeiramente agarrem o que acontece de sublime em cada um dos meus dias.

11 junho 2008

Memórias

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Faz bem dar um passeio para descontrair e regressar. Sobretudo os passeios do que foi contruído em cada dia. Há tempos ouvi uma frase que me fez pensar. No fim do dia, não somos a mesma pessoa do que quando nos levantamos. De facto há dias muito cheios, que passam entre velocidades, surpresas e monotonias.

O que nos faz mais diferentes foi o facto de termos alargado o espaço à nossa volta. Quando não nos deixámos ficar pelas coisas de sempre, mas procurámos dar qualquer toque de originalidade ao nosso tempo. Não é preciso muito para sorrir e às vezes esquecemo-nos disso. Que é fácil rir das nossas teimosias preguiças e não lhes dar demasiada importância.

Quando os dias são muito repetidos, é urgente ser bem disposto, e ter boa disposição. Não olhar para o que vem como já conhecido, mas acreditar que tudo o que vem a seguir tem a capacidade de ser pintado com uma nova cor.

08 junho 2008

Atentos

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Li ontem um fragmento de um texto, feito por um padre italiano, que diz mais ou menos isto:

"Piazza Venezia. 12.31h. Um jovem acabado de cair do planeta adolescência está parado no passeio, junto à estrada, com o volume do Ipod no máximo. Nas mãos o telemóvel já quente de tantas mensagens que não acabam de chegar. Olha para o visor, sem se dar conta de nada. Chega o 64. O motorista apita, zanga-se. Pára junto dele. A meu lado, uma senhora de idade diz-me: São os novos surdos"

Uma vez experimentei ir a ouvir música enquanto caminhava. Parecia que assistia ao que estava à minha volta como se fosse um filme. E muito bonito. Mas foi estranho, porque eu via de fora o que acontecia à minha volta... talvez por isso não voltei a repetir.

O isolamento que o ruído faz esconde o silêncio de tocar o mundo à minha volta. Gostaria de aproveitar melhor os dias que me são dados viver, e chegar ao fim de cada dia com a alegria de cheiros e cores autênticas, quando não ficou nada de bonito por fazer. A atenção ao mundo à minha volta é um desafio para o agradecimento. E a melhor forma de o fazer é cuidar do que tenho e do que me acontece, com a força de olhar para além do real, com a luz de ter sido privilegiado em poder assumir tudo com simplicidade e maravilha.

06 junho 2008

Deixar-me levar

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Um exercício de confiar, porque temos horizontes imensos que não nos deixam parados...





Era: Dont U


05 junho 2008

Ao perto e ao longe

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A nossa condição passa-se entre o que somos e fazemos em cada momento e aquilo que projectamos e desejamos fazer no futuro. E podem acontecer três coisas: ou vivemos o presente com a serenidade de que estamos no caminho de um futuro escolhido por nós; ou vivemos desencantados porque o que fazemos não tem nada a ver com o que realmente queremos; ou, por fim, vivemos na indiferença e no desinteresse, porque não pensamos no que fazemos com horizonte de futuro.

Os dias são muito complexos e em tantas acções que fazemos, umas são felizes, outras tristes e outras indiferentes. O que poderia dar a qualidade maior e a unidade ao que faço? Muitas vezes passa por escolhas e opções de fazer sobretudo aquilo que realiza os meus desejos autênticos, se for possível hoje. Ou então, de olhar para o que faço agora sem esquecer o que quero vir a ser e a fazer.

Entre o perto e o longe, temos um movimento que nós podemos controlar ou podemos, pelo contrário, ser arrastados por ele. Acho que não é bom nem uma coisa nem outra. Prefiro falar de controlar como orientar e decidir, e arrastar como confiar e entregar. Cada gesto seria mais simples e mais autêntico.


02 junho 2008

Autêntico

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Ultimamente tenho andado a trabalhar acerca deste tema e tirei algumas conclusões mesmo importantes e que nem estava muito à espera.

Tinha a tendência de pensar que a autenticidade está no facto de nos conhecermos bem por dentro. E também é isto. Mas é apenas o ponto de partida. A autenticidade que temos tem a ver com um movimento interior que nos faz querer ser completos em tudo o que fazemos. Não é só olhar para dentro de nós, mas olharmo-nos naquilo que somos para fora.

Desde as coisas mais simples até às grandes entregas. Quando observamos o mundo e os outros à nossa volta, sentimo-nos por vezes em casa, porque lugares e pessoas falam-nos de contextos onde podemos ser aquilo que somos. E cada um poderia fazer a lista das suas paisagens favoritas.
Se o que está fora de nós nos atrai, é porque somos feitos de uma coragem fundamental que não nos deixa ficar no quentinho do coração. É o facto de sermos tão de dentro como de fora que nos faz autênticos, levados através da confiança e seguros que temos coisas mesmo muito grandes para dar. E os outros ganham tanto com o que somos, não vale a pena esconder tesouros...

01 junho 2008

Vou estudar!

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Começo hoje o estudo para os exames, que sempre é para mim um tempo de aprofundar o que trabalhei ao longo do ano e, felizmente, acho que por feitio, um tempo de grande serenidade e entusiasmo.

Os exames tem sempre uma dimensão de testar o conhecimento recebido, e de depender de uma apreciação para superar os níveis académicos e ficar com um diploma. Se reduzisse um exame a uma nota, seria pobre, ou se o reduzisse a somente querer passar, seria ainda mais pobre. O que aprendemos tem de trazer alguma coisa maior para o modo como estamos na Vida. Afinal, estudamos para nos preparar bem para o que vamos fazer no futuro.

Por isso, a motivação de fundo que vivo nos exames é um desejo de trazer qualquer consequência para a vida, de ser também aquilo que estudo e não uma gaveta de papéis que esvazio e deito no lixo! Bom trabalho!


PS: A imagem é uma forma colorida de estudar, e num dia especial! Feliz dia da Criança! =)


 

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